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O futebol respira ‘roubo’ e omissão

Como bom torcedor, nunca estarei satisfeito.

06/11/2018 às 12:44

Leandro Couri/EM/D.A Press


Amigos, eu vivo falando isso, vocês lendo e o Héber Roberto Lopes fazendo. Ao menos nós, aqui citados, sabemos muito bem o quanto o futebol é cinematográfico. E o juiz em questão não entra em cena para ser mero figurante. Ele gosta mesmo é do protagonismo. Falo isso com um prazer imenso, confesso. É que o futebol precisa dessas raízes, né? Já pensou se o VAR estivesse por lá e resolvesse acertar logo num jogo apitado por Héber Roberto Lopes? Ia ser trágico! 

Nada como um pênalti para dar a um árbitro a câmera do jogo - que, no caso, volto a dizer, não é o VAR. Digo mesmo da TV, que mostra a partida aos milhões de telespectadores, e também da Rádio, que narra lance a lance. Voltando: o pênalti, no futebol, é o beijo do vilão na mocinha em frente ao mocinho, ou seja, é o ápice do roteiro. Não à toa, tivemos três infrações máximas no clássico entre América e Cruzeiro nesse primeiro domingo de novembro, dia 4: dois marcados e convertidos, um ignorado e polemizado, todos sob o apito de Héber Roberto Lopes e suas cenas dramaturgas. 

Venhamos e convenhamos que sem os pênaltis o jogo terminaria 1 a 0 para os visitantes e despretensiosos cruzeirenses, tento mais uma vez marcado por Arrascaeta. Com os pênaltis, ficou 2 a 1, mas poderia ser 2 a 2, se marcado e convertido o lance de Dedé em Matheusinho, que entrou e incendiou o jogo acordando os afobados - quase afogados - americanos. 

Hoje não quero me alongar. Já falei muito de Dedé nessa coluna e estou triste por ele ter esquecido todas as injustiças que bravamos na imprensa para defendê-lo no último mês ao dizer que não cometeu a falta de ontem. Lamentável, amigos, que ainda vivemos refrescados com a pimenta nos olhos do outro. 

Não vou me alongar também porque sou anônimo demais para conseguir avisar ao Adilson Batista que em time que está perdendo se mexe e remexe, como diria o repórter Álvaro Damião. E que o América está perdendo antes mesmo do apito inicial, portanto, não se pode manter a escalação. Tem que mexer no time, nos titulares. Tem que colocar atacante para vencer e não empatar. Tem que colocar volante para "dirigir" a  vitória e não empate. 

Pois bem. Mais um clássico com erros da arbitragem e dos dois times. Cada um com seu erro, cada um com sua influência e, cada um de nós com as costumeiras canseiras e cegueiras do futebol. Clássico começa uma semana antes e termina vai saber lá quando. Depende da atuação dos envolvidos dentro e fora das 4 linhas. Há coisas que não podem mudar, outras passaram da hora. Como bom torcedor, nunca estarei satisfeito. Quero juiz ‘ladrão’, mas não num jogo em que o erro começa pelas omissões dos times. “Assim tentam cavar entre o torcedor e o futebol um abismo irreversível”, como bem dizia Nelson Rodrigues. E não estamos longe disso.

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