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Camisa Gasta

Torcer contra uma convocação, querer que um jogador opte pelo clube, ao invés da seleção, é negar cinco estrelas no peito que só, - repito: - só o Brasil tem.

12/09/2018 às 08:50

Amigos, inicio aqui um espaço de paralelos entre passado e presente. Vamos, juntos, resgatar o jornalismo esportivo amador - em todos os sentidos. Vou falar da Pátria em Chuteiras, dA sombra das chuteiras imortais. Com recortes de Nelson Rodrigues, pai da crônica esportiva, resgatar o início das análises do futebol, ainda que puramente literária e sem compromisso. Aliás, com o compromisso de voltar o esporte ao seu espaço de entretenimento, e nós ao lugar de torcedor, ainda que para isso tenhamos que, feito pais e mães, dar bronca e sermões. Sejamos sinceros.

Começo então lembrando vocês de um passado não muito distante, mas bastante esquecido: a seleção brasileira já foi o orgulho de nossa nação. Grande época! Falo isso quanto às décadas de 60, 70, 80, 90 e dos primeiros anos de 2000. Se você não completou a maioridade, amigo, não sabe do que estou falando. Por isso se junta aos esquecidos para uivar contra as convocações e driblar a importância da amarelinha. 

Naquele tempo tudo era diferente. Por exemplo: a torcida tinha uma ênfase, um musical canarinho. E era sublime: quando havia um gol, os brasileiros, sabidos da capacidade da equipe, envaideciam e enriqueciam. Taí o que empobrece o futebol atual: a inexistência da confiança. Difícil, muito difícil, achar um torcedor que ama platonicamente ou reconhece os feitos do Brasil em campo. É difícil, ainda, achar quem ceda seu tempo e “seu jogador”, de clube, para a seleção.

Admito, é claro, as convenções disciplinares que o futebol moderno exige. Berra-se esquinas afora que o calendário brasileiro prejudica os times. Que Europa, os demais sul-americanos e o Sudão respeitam as datas Fifas; apenas o Brasil não. O que ninguém entende dessa diferenciação verde-amarela é que aqui, amigos, é o país do futebol. E se parar nossas competições para a seleção jogar, haverá gritos; não parando, há berros. 

Para qualquer um, a camisa amarelinha valia tanto quanto uma veste de gala. Para o brasileiro, a camisa era tudo. Acontecia várias vezes o seguinte: quando o time não dava nada, a camisa era içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas tremiam, então, intimidados, acovardados, batidos. Hoje, a pátria nega a camisa. Entendo que o comportamento interior, a gana, a garra, a crença são perfeitamente inatuais. 

Mas, amigos, torcer contra uma convocação, querer que um jogador opte pelo clube, ao invés da seleção, é negar cinco estrelas no peito que só, - repito: - só o Brasil tem. Nas décadas passadas, ninguém bebia um copo d’água sem paixão. Passou-se. E são os Clubes que jogam, hoje, com essa alma brasileira. 

Essa fixação no tempo explica a tremenda força clubista. Note-se: não se trata de um fenômeno apenas do torcedor. Mas do jogador também. Aliás, time e torcida completam-se numa integração definitiva. O adepto da Seleção recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as raízes do ser. O torcedor de Clube, não. Se entra um gol adversário, ele se curva, ele perde o ar, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um personagem apunhalado. 

Entenda: a mentalidade é anterior à Primeira Grande Guerra, de vestir as cores do clube, mas o amor primeiro, maior, era pelas cores únicas verde-amarela. Fica a pergunta: há de chegar o dia em que a camisa dos clubes não precisarão de jogadores, nem de técnicos, nem de nada; bastará a camisa, aberta no arco diante do furor impotente do adversário, ou, como se faz hoje com nossa amarelinha, gastaremos, também, esse uniforme? 

Para cada 1 torcedor eufórico da seleção brasileira, 7 a nega. E ainda culpam a Alemanha...

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