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Julgamento de Messi

A confusão entre individual e coletivo, os “idiotas da objetividade”, as verdades escondidas por trás de resultados...  

19/06/2019 às 01:17

 

O melhor jogador do mundo chega ao Mineirão nesta quarta num cenário de total pressão. O suposto insucesso de Messi na seleção argentina voltou a ganhar ressonância após a derrota para a Colômbia. De novo, proliferam-se os discursos injustos e simplórios a este respeito. É impressionante como as narrativas no futebol são construídas com apego excessivo a resultados, aspectos “objetivos”, palpáveis, e que, no fundo, estão longe de refletir o que realmente aconteceu em campo. A dificuldade para abraçar incertezas, para dizer/entender que o jogo coletivo às vezes simplesmente não encaixa – não obrigatoriamente por elementos justificáveis, mensuráveis pelo “tatiquês” vigente –, e não há teorias redentoras capazes de definir acertadamente heróis e vilões, não existe o que julgar de forma peremptória, segue um defeito crônico também de larga fatia da mídia esportiva – que pouco parece ter aprendido com Nelson Rodrigues, os “idiotas da objetividade”, o “Sobrenatural de Almeida”. O ser humano tem problemas para aceitar o acaso, a ausência de explicações, o silêncio, a dúvida, o papel da sorte. Precisando preencher infinitos programas de opinião lutando pela audiência a qualquer preço, guiados por diferentes tipos de imediatismo, pela cobrança por uma aparente coragem, pela transmissão de certa aura de “firmeza”, então...

A “verdade” histórica no futebol em grande medida é erguida com muita gente avaliando com pouco acompanhamento qualificado de considerável amostragem das partidas na íntegra. Episódios, lances esporádicos, edições de melhores momentos, idealizações, falas meramente apropriadas, placares de duelos, e a quantidade/conquista de títulos regem, condicionam teses elaboradas com conteúdo equivocado ou, no mínimo, repletas de precipitações, espécies de generalizações – no sentido de que não daria para cravar o que está sendo dito e/ou que a verdade estaria não numa proposição reguladora, formulática, daquelas que exprimem regras, modelos a serem seguidos, e sim na soma de facetas antagônicas, conflitantes; de instantes que de certa forma “confirmariam” o resultado final com outros que o “contrariariam”. Falo aqui da patológica recorrência ao “preto no branco”, do pouco espaço geral para bem-vindos tons de cinza. Se você colher material, versões, análises acerca do título da Alemanha na Copa do Brasil encontrará uma série de arroubos unilaterais – e fica ainda mais difícil incluir qualquer aparente relativização quando uma hecatombe como os 7 a 1 colore merecidamente a caminhada. Dizer, porém, que tirando nas semifinais o desempenho não fora tão maravilhoso assim – e vejam bem, não o estou classificando nem como “ruim”, nem como insuficiente para merecer ganhar –, não é exatamente popular – é uma realidade que permanecerá escondida em recônditos tão iniciados quanto capazes de, a partir de informação mais completa, pensar fora da caixa.  

Messi nunca ganhou títulos pela seleção principal da Argentina. Chegou a três finais seguidas. A linha no futebol frequentemente é tênue demais. O esporte volta e meia tem generosas camadas de crueldade. Não fossem certos erros que nada tiveram a ver com ele, a conquista do Mundial de 2014, por exemplo, poderia ter vindo. Do mesmo jeito que é simplório somente pegar o resultado coletivo para sustentar o fracasso individual, seria superficial apontar que ele teve exibições no seu melhor nível pela seleção e bajular excessivamente atuações específicas caso a única diferença entre o que aconteceu, e o que poderia ter ocorrido, fosse Higuaín ter colocado o pé na forma. A performance individual de Messi continuaria a mesma. Nem melhor, nem pior. Nem ruim como muitos pintam agora, nem exatamente no mesmo nível que ele apresentou no Barcelona 500 mil vezes. Mas alguma dúvida que o julgamento público dele, com a simples mudança de algo realizado por outra pessoa, seria completamente diferente?

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