José Lino Souza Barros

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Até o Hexa!

No dia da abertura da Copa do Mundo um texto da jornalista Jéssica Moreira, a partir das crônicas de Nelson Rodrigues

14/06/2018 às 01:19
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Amigos, hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Vocês se lembram da vergonha de 2014. Foi uma humilhação pior que a de Canudos. Não me venham dizer que o escrete é apenas um time. Não. Se uma equipe entra em campo com o nome do Brasil e tendo por fundo musical o hino pátrio - é como se fosse a pátria em calções e chuteiras, a dar botinadas e a receber botinadas.

Pois bem. Depois da experiência bíblica de 2014, passamos a rosnar, por todas as esquinas e por todos os botecos do continente, o seguinte juízo final sobre nós: - “O brasileiro é bom de bola, mas frouxo como homem”. É o que dizem, sim, de nós com feroz sarcasmo.

Agora, os jogadores já partiram para a Rússia, e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda a parte, há quem esbraveje: — “O Brasil não vai nem se classificar!” E, aqui, eu pergunto: — não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

Eis a verdade, amigos: — desde 2014 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos alemães ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que deixou a dor de cotovelo dos 7 a 1. O tempo passou em vão sobre a derrota. Parece que foi ontem, e não há quatro anos, que, aos berros, a Alemanha arrancou, de nós, a chance do título em casa. Eu disse “arrancou” como poderia dizer: — “extraiu” de nós como se fosse um dente.

E, hoje, se negamos o escrete atual, não tenhamos dúvida: — é ainda a frustração dos 7 a 1 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: — se o Brasil vence na Rússia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas, e duzentos milhões de brasileiros iam acabar no hospício.

A pura, a santa verdade é a seguinte: — qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: — temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades: o “complexo de vira-latas”; a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Somos o povo que berra o insulto e sussurra o elogio.

Amigos, começa aqui, a Copa do Mundo na Rússia. O Brasil já se despediu do escrete, que se preparou na Europa para o Mundial. Não foi um adeus, mas um “até o Hexa”. E, agora, ninguém deve ficar em casa. Como se omitir, se a Seleção precisa de todos nós e de cada um de nós? Eis a verdade inapelável e eterna: - só o grande amor faz o grande escrete. Como bem diz minha vizinha patusca: “Nada como um dia depois do outro.” O 7 a 1 já não existe mais. Avante! Nós somos maiores, porque somos Brasil, imensamente Brasil, eternamente Brasil.

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