Ursula Nogueira

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De mulher para mulher 

A derrota nos faz crescer mais. Nos faz mostrar que ainda não estamos prontas...

24/06/2019 às 11:33

Assessoria / CBF

Não deu para o Brasil. A Seleção Feminina de futebol foi eliminada da Copa do Mundo no último domingo (23) depois de perder, na prorrogação, por 2 a 1, para a França. 

Não faltou raça, vontade e qualidade técnica por parte das guerreiras do Brasil, mas do outro lado estava a favorita. A base da seleção francesa é formada por jogadoras do Lyon, atualmente o melhor time feminino do mundo. São seis títulos da Liga dos Campeões, sendo quatro consecutivos. Sem contar que as francesas jogaram em casa. 

Além de tudo isso, a adversária tem uma técnica que merece todo o nosso respeito: Corinne Diacre, 44 anos. Ex-atleta, Corinne foi a primeira mulher a treinar um time masculino na França. Ou seja, não estamos falando de qualquer oponente. Estamos falando de um dos países que mais investe em futebol feminino no mundo. 

Diante disso, meu coração se enche ainda mais de orgulho da nossa seleção. Brigamos de igual para igual com as francesas. Mostramos que estamos no futebol para contar histórias, fazer história, marcar a história. Mostramos que somos muito mais do que se esperava. E, claro, mostramos também que precisamos corrigir alguns erros. Isso é óbvio. 

Foi uma Copa do Mundo diferente. Nunca antes na história o futebol feminino esteve tão em evidência. Nunca tantas pessoas pararam para assistir a uma partida da seleção feminina. Muitos dizem que é modinha. Que seja! Que a moda seja sempre assistir, dar audiência e retribuir a entrega e dedicação destas mulheres – e não meninas – do Brasil. Foram anos lutando sozinhas por um sonho delas. Foram anos vestindo uma camisa sem despertar interesse nas pessoas, sem conseguir chamar a atenção de um patrocinador. Elas merecem a moda, o interesse, a audiência, e tudo mais. 

Se você que está lendo esta coluna, por alguma infelicidade, desrespeita uma mulher, pare e reflita. Poderia ser sua irmã, sua mãe, sua vó. Se coloque no lugar das pessoas xingadas, hostilizadas, humilhadas. Já pensou alguém fazer isso com a sua mãe que tanto lutou para te criar? Tenha empatia. Ninguém sabe quanto custou o suor da camisa do outro. Vamos fazer um mundo melhor. É fácil: é só respeitar o próximo. 

E aproveitando, gostaria de deixar um recado para todas elas. Se terão acesso, se algum dia irão ler isso, não sei, mas que fique registrado: 

Vocês representaram o Brasil. Fizeram o povo brasileiro voltar a sentir orgulho de uma seleção. Eram milhões de pessoas ligadas em vocês. Vocês não caíram para a França! Vocês são os olhares do mundo para as mulheres. Independentemente se eram atletas ou não.

Vocês chamaram a atenção para donas de casas, diretoras de esportes, babás, engenheiras, jornalistas, motoristas. Vocês jogaram por nós, lutaram por muitas, venceram por tantas outras. A luta de vocês nos ajuda a construir olhares diferentes para a mulher que cuida da casa e sustenta os filhos. Vocês fortaleceram aquelas que saem de casa para trabalhar enquanto os filhos ainda dormem e voltam com o sustento de casa enquanto os filhos já dormem de novo. Uma coisa é certa: a luta não acabou. Não podemos parar. Não vamos parar. Pode ser que nossa geração não alcance o lugar que hoje estamos plantando – que é a tão sonhada igualdade -, mas continuaremos a plantar a semente. 

Somos muitas Martas, Formigas, Tamires, Cristianes, Bárbaras, Mônicas... espalhadas mundo a fora e tenho certeza que é justamente a força de mulheres como vocês que nos faz mais forte para seguir o caminho. Somos América com Carolinas, Brendas, Sandys, Jaquelines, Jullias. Somos Atlético com Eduardas, Isabellas, Emilys, Lorraynes, Rayanes. Somos Cruzeiro com Camilas, Paulas, Micaellys, Dudas e Janaínas.

Insistam, persistam. Nada é fácil na vida. Em nenhuma profissão. Nem para homem, nem para mulher. Não se vitimizem e sigam em frente. Adquiram conhecimento, técnica, tática e fé em Deus. Sigam o caminho que faz o coração pulsar mais forte. 

Vocês foram gigantes, “Amarelinhas”! Estamos orgulhosas – e orgulhosos – de vocês!  A derrota nos faz crescer mais. Nos faz mostrar que ainda não estamos prontas. Continuem se preparando, Guerreiras!

Com carinho, 

Ursula Nogueira.

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