Ursula Nogueira

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Futebol feminino e a busca por equidade 

'Enquanto o jogador do PSG recebe R$ 396 milhões, Marta recebe cerca de R$ 1,47 milhão'

18/06/2019 às 06:37

Nunca se falou tanto em futebol feminino como agora. Durante a Copa do Mundo, as “guerreiras” da seleção estão em destaque. Elas são os assuntos mais comentados no Twitter, em todo o Brasil, ocupam boa parte dos stories do Instagram e tem, inclusive, empresas liberando funcionários mais cedo para que eles possam acompanhar as partidas. Isso é um avanço para todas aquelas que sempre trabalharam para um reconhecimento. 

Falar em futebol feminino, trabalho e luta é o mesmo que falar de Marta. Seis vezes a melhor do mundo e 17 gols em copas do mundo (contando o gol de pênalti na vitória contra a Itália, por 1 a 0), ela ultrapassou o alemão Klose e se tornou, simplesmente, a artilheira das Copas. Além de tudo isso, Marta foi a primeira a balançar a rede em cinco edições diferentes do mundial - vale lembrar que a primeira Copa do Mundo dela foi em 2003, quando tinha apenas 17 anos. Agora, aos 33, a atleta segue fazendo história com a camisa do Brasil. 

Nesta Copa, a camisa 10 da seleção brasileira entra em campo sem nenhum patrocínio de material esportivo, e não se trata de frescura ou mimimi. Marta estampa apenas um símbolo da campanha “Go equal”, que luta por equidade de gênero. Desde julho do ano passado, quando seu contrato com a Puma se encerrou, Marta não assinou com outro patrocinador. 

A disparidade entre os valores pagos para os homens e as mulheres no mundo da bola é algo inacreditável. Sei que a comparação entre Marta e Neymar é repetitiva e até chata, mas, neste momento, é preciso fazer. Enquanto o jogador do PSG recebe R$ 396 milhões, Marta recebe cerca de R$ 1,47 milhão. A discrepância fica ainda mais absurda se compararmos com os valores pagos aos jogadores da Série A do Brasileirão. Se fizermos uma média de salário dos jogadores que disputaram o Brasileirão em 2018, chegamos a uma média aproximada de R$ 2,5 milhões. Vale destacar que a jogadora mais bem paga do mundo é Ada Hegerberg, atleta do Lyon da França, que recebe R$1,73 milhão. 

Entendo perfeitamente que tudo está relacionado com patrocinadores que, por sua vez, está relacionado com audiência, interesse dos torcedores. As grandes empresas precisam ter ciência da sua responsabilidade social. É obrigação delas também incentivar o interesse e a audiência do público pela categoria. Não basta o comodismo de esperar que a cultura mude. É preciso acelerar o processo. E ouso dizer que a empresa que fizer isso se destacará no mercado. 

Um exemplo disso é a própria Avon, que fez da Marta sua garota propaganda com a campanha “Veio pra ficar”. O objetivo da ação publicitária é mostrar que assim como a Marta veio para ficar, o batom – que promete uma duração 16 horas de fixação – também. É por isso que Marta entra nos gramados maquiada durantes os jogos desta Copa do Mundo. 

Espero que assim como a Marta e o batom, o interesse pelo futebol feminino venha pra ficar. 

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