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Argentina aprova projeto que descriminaliza o aborto, depois de mais de 22h de sessão

Por Agência Brasil, 14/06/2018 às 10:41
atualizado em: 14/06/2018 às 10:49

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Foto: Agência Brasil
Agência Brasil

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou nesta quinta-feira, por 129 votos a favor, 125 contra e 1 abstenção, o projeto de lei que descriminaliza o aborto, em uma sessão histórica que durou cerca de 22 horas e meia. 

De acordo com o projeto, o aborto poderá ser feito até 14 semanas de gestação. Depois deste prazo, a interrupção da gravidez só poderá ser realizada em casos de estupro, se representar um risco para a vida e a saúde da mãe e também se o feto tiver alguma malformação “incompatível com a vida extrauterina”.

A votação terminou com aplausos dos deputados que defendiam a interrupção voluntária da gravidez. 

O texto segue agora para o Senado. 

Madrugada fria

Milhares de argentinos viraram a noite na praça em frente ao Congresso, para acompanhar a votação, na Câmara dos Deputados. Todos estavam preparados para enfrentar o frio de 5 graus: fizeram fogueiras, montaram barracas e dançaram, ao som de tambores, pedindo aos legisladores o direito a um “aborto livre, gratuito e seguro”.

A sessão começou nessa quarta (13) e, até o fim da noite, havia um empate entre os deputados que discursaram a favor e contra a legalização do aborto. Do lado de fora do Congresso, ativistas dos dois lados ocupavam a praça e defendiam sua posição.

Números

Segundo as estimativas, 500 mil abortos clandestinos são feitos todos os anos na Argentina. Cerca de 60 mil resultam em complicações e hospitalizações. E muitas mulheres – a maioria pobres ou do interior – morrem por causa de abortos mal feitos.

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