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Atingidos pela lama da Samarco lamentam impunidade: 'Nós é que estamos presos', diz moradora

Por Redação , 09/11/2018 às 10:41
atualizado em: 09/11/2018 às 17:07

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Por mais difícil que seja, é possível dimensionar em números, mensurar em escalas de grandeza e de comparação o que foi o crime da Samarco, a tragédia que começou em Mariana e atingiu mais 35 cidades em Minas Gerais e no Espírito Santo. Os 39 milhões de m³ que vazaram representam 15.680 piscinas olímpicas. Seriam necessárias 1,800 milhão de viagens de caminhão para retirar todo o rejeito que se espalhou. O Rio Doce tem 853 km de extensão, uma vazão média de 900 m³ de água por segundo. O reassentamento de Paracatu e de Bento Rodrigues fica pronto cinco anos após a tragédia em 2020. Números, dados, prazos. Tudo se mensura, tudo se mede. Menos o valor das 19 vidas que se foram e a dor daqueles que perderam seus entes queridos. Essa dor não se corrige, não se remedia. 

José do Nascimento de Jesus, de 73 anos, o popular Zezinho do Bento, lembra os conterrâneos que morreram. “... é constantemente, a memória nossa não vai apagar nunca”.

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A Justiça Federal deve começar a julgamento do processo criminal no primeiro semestre de 2019 quando serão denunciadas 21 pessoas, sendo cinco executivos da Samarco e oito de cada uma de suas controladoras, Vale e BHP. Eles responderão por homicídio com dolo eventual - quando se assume o risco de matar. O processo corre na comarca de Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, 90 km de Mariana. 

O procurador federal José Adércio Leite Sampaio, responsável pela ação cível da tragédia, é um dos co-responsáveis pelo processo criminal. Leite Sampaio, em entrevista exclusiva a Itatiaia, disse que há interesse por parte da defesa dos indiciados em postergar ao máximo o julgamento e evita falar em prazos. Ele declara que os escritórios de advocacia envolvidos no processo são os mesmos envolvidos no processo da Lava Jato. “O que eles podiam fazer para protelar eles fizeram”.

Dona Luzia Queiroz, ex-moradora de Paracatu de Baixo, diz como se sente três anos depois da tragédia. “Nós é que estamos presos, o seu sonho ta (sic) preso, a sua vida ta (sic) presa”, lamenta.

Movimentos Sociais, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), criticam a demora na punição pelos responsáveis pela tragédia. “Os que foram culpados pelo crime hoje estão sendo vistos como os de ‘bem’, enquanto os atingidos estão sendo criminalizados, é uma vergonha”, destaca um dos representantes, lembrando que três anos depois ninguém foi preso.

Se a denúncia de 272 páginas protocolada em 19 de outubro de 2016 na comarca de Ponte Nova for aceita, todos os 21 executivos de Samarco, Vale e BHP responderão por inundação, desmoronamento, lesões corporais graves e homicídio doloso. A condenação por todas as acusações pode gerar penas de até 54 anos de prisão. 

Posicionamentos

A assessoria da mineradora Samarco disse que quem comenta este assunto são os dois escritórios de advocacia que defendem os cinco executivos da mineradora que foram denunciados. A reportagem da Itatiaia vem tentando nos últimos dias fazer contato com os escritórios, mas até o momento não fomos atendidos.

As assessorias da mineradora australiana BHP Billiton e da mineradora Vale disseram que não vão comentar as declarações do Ministério Público. 

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